De acordo com o estudo Panorama CMO, realizado pela IT Mídia, 97% dos líderes de marketing afirmam que existe parceria entre as áreas de TI e marketing. Além disso, que 80% das empresas estão prontas para o mundo digital. Entretanto, outro levantamento da mesma instituição, intitulado Antes da TI, a Estratégia, aponta que 63% dos CIOs indicam que suas estratégias digitais são fortes ou muito fortes. Fora do país metade dos participantes diz não possuir estratégia digital.

 

A discrepância não mostra que o Brasil está à frente de outros países quando o tema é Marketing Digital, mas sim que há uma dissonância entre a teoria e a prática e um desalinhamento no conceito, o que é muito mais profundo. Para se ter uma ideia da importância deste tema, ele foi um dos assuntos abordados incansavelmente no WPC 2016 – Microsoft Worldwide Partner Conference, evento que reúne os parceiros da companhia em todo o mundo.

 

Premiado na categoria Modern Marketing pela companhia, tive a oportunidade de abordar as dificuldades e sucessos ao implementarmos o uso do Marketing Digital, que é uma estratégia bastante eficaz, mas requer planejamento, pesquisa e direcionamento apurados para atingir um ponto alto e desejado de eficiência.

 

Quando menciono o termo Marketing Digital, não falo apenas da geração de leads, do impacto no usuário ou da comunicação, mas sim de um estratégia  digital sofisticada que abrange desde funcionários e colaboradores até o cliente final. Não basta trabalhar apenas “na ponta do iceberg”: é preciso construir a estratégia a partir da base, aprofundar o conceito e firmar os alicerces.

 

A Microsoft vem apostando em um direcionamento mais agressivo ao investir fortemente nos conceitos digitais atuais como o SaaS (software como serviço) a fim de satisfazer mais os seus clientes, atuando diretamente nas dores de negócio ao se adaptar às suas necessidades. A lógica aqui é a mesma: o mercado de SMB, por exemplo, é composto por 73 mil empresas no mundo. 25% delas vão substituir os seus produtos para a nuvem. A tendência natural é a adaptação às facilidades oferecidas pela tecnologia e não oferecer essa possibilidade significa nadar contra a maré.

 

Entretanto, há outro dado instigante: 65% das empresas B2B só engajam seus representantes após decidir pela aquisição do produto ou serviço, ou seja, o contato acontece pela necessidade e não pela oferta. Mas, como criar este interesse a partir da oferta ao invés de esperar o cliente sentir a necessidade?

 

A resposta novamente está em satisfazer as dores do negócio. É preciso apresentar formas de mensurar o antes e o depois da implementação de soluções, mas para isso é fundamental entender a fundo o negócio do cliente e estar alinhado à transformação digital, a fim de que marketing, gestão, TI e todas as outras áreas trabalhem em prol de um mesmo objetivo. Isso vale tanto para quem oferece como para quem contrata.

 

Um dos pontos apresentados pela Microsoft aos seus parceiros foi a necessidade de atuar na plataforma e não apenas com uma ou outra solução, permitindo oferecer uma consultoria de negócios e não somente a implementação do software A ou B.  Um exemplo é a possibilidade de desenvolver soluções próprias no Azure, o que abre um imenso campo de atuação que permite ofertar implementações personalizadas e com melhor custo-benefício. Outro exemplo foi o tema principal do evento: o lançamento do Dynamics 365, que será a união do Dynamics AX, principal ERP da fabricante, com o CRM. Ele terá uma importância significativa no próximo fiscal da Microsoft e ratifica a estratégia da oferta de plataforma.

 

 

A companhia também anunciou mudanças em seu processo de certificação: a especialização por vertical permite oferecer mais credibilidade e aprofundamento no campo de atuação do cliente. Com uma visão mais apurada de cada segmento, é possível realizar um trabalho personalizado e eficiente, de acordo com o perfil de cada empresa e, a partir daí, fazer uma melhor qualificação dos decisores no processo de venda, criando a necessidade a partir da oferta, uma vez que é possível mostrar o retorno do investimento, redução de custos e as diversas formas de solucionar suas reais necessidades.

 

Ao observar a movimentação da Microsoft em função das novas tendências de mercado, fica clara a necessidade de se aprofundar nos conceitos que envolvem a estratégia digital como aplicação na empresa e na oferta de negócios. Com isso é possível potencializar as informações por meio das tecnologias na geração de resultados e oferecer mais eficiência e personalização aos seus clientes por meio de uma verdadeira consultoria digital.

Por Carlos Mota – Diretor Comercial da Inove