Muito se fala em transformação digital, mas a compreensão deste conceito está bastante além do que é feito na maioria das empresas atualmente. Ao contrário do que muitos imaginam, não se trata de automatizar processos ou implementar softwares para organizar ou ter informações precisas do negócio. Otimizar é uma questão de sobrevivência e não um diferencial competitivo, tal qual inovar tratando uma necessidade antiga do mercado, que provavelmente já está no radar dos seus concorrentes.

Transformação digital significa repensar o negócio de forma disruptiva. É avaliar toda a tecnologia disponível e encontrar as oportunidades que podem ser aproveitadas. É identificar desejos não declarados ou óbvios e tentar solucionar com ferramentas que até então, não estavam disponíveis.

Empresas como Uber, Netflix, e AirBnB, por exemplo, conquistaram este feito, construindo ferramentas que atendiam necessidades e desejos das pessoas que vivenciavam os benefícios da tecnologia dia a dia, e queriam encontrar cada vez mais facilidade em novos produtos e serviços.

De acordo com o IDC, até o final de 2017, dois terços das 2 mil maiores empresas globais terão o tema “Transformação Digital” no centro de sua estratégia corporativa. Entretanto, em 2016, 26% dos CIOs de empresas de grande porte na América Latina iniciaram o processo de transformação digital, o que mostra que ainda há um grande caminho a ser percorrido.

Depois do mainframe e do cliente/servidor, o mercado tem falado muito numa nova arquitetura de soluções de TI formada pela soma da computação em nuvem, computação móvel, mídia social, big data e analytics: “Terceira plataforma”. Ela é um dos principais meios para alcançar a tal transformação digital. Evidentemente, não é única, uma vez que o universo digital vai muito além disso.

E se você ainda pensa que essa é um problema do CIO, cuidado, seu negócio está em risco. Todos os executivos de negócios devem estar atentos à tecnologia por um único motivo: o seu cliente quer os benefícios oferecidos por ela. O usuário está acostumado a utilizar a tecnologia para se comunicar, receber e prestar serviços, realizar compras e outras tantas atividades. Se a sua empresa não oferecer a comodidade, agilidade e conceito provenientes da transformação digital, seu cliente encontrará um concorrente que o faça. Por isso, insira em seu cardápio matinal os temas: realidade virtual, Internet das coisas, computação cognitiva, robôs (bots) e impressão 3D. Lembre-se que os criadores de tecnologia nem sempre sabem como aplicá-los aos diferentes setores, o que pode ser uma oportunidade se você estiver atento às novidades e aliar seus conhecimentos do negócio à sua inteligência criativa.

Como exercitar a transformação digital?

Esqueça a lógica convencional. O pensamento muito estruturado e cartesiano não vai ajudar. O que parece impossível pode ser uma grande cartada de um concorrente. Se dê a chance de dar as cartas no negócio.

  • Reflita sobre as soluções que sua empresa ou cliente oferecem hoje. Seria possível entregá-las de uma forma mais simples e padronizada, tornando-as disponíveis a um público maior ou de menor poder de compra?
  • Revise suas propostas passadas que não foram aceitas por questão de custos, e veja se atualmente não seriam possíveis com os recursos já disponíveis.
  • Pense quais oportunidades seu negócio teria se pudesse fazer algo que anteriormente era inatingível e inimaginável.

Seja rápido! A velocidade da transformação é muito maior do que você imagina. O telefone levou 75 anos para atingir os 50 milhões de usuários que o Angry Birds conquistou em 35 dias. As oportunidades que a computação moderna pode propiciar estão muito além da venda dos seus produtos na internet, mas requerem a mesma rapidez que as novas necessidades que surgem diariamente pelos usuários. Cabe a você, executivo do negócio, exercitar e levar sua empresa a um novo nível de relacionamento com seus clientes, antes que outro o faça.

Por Daniel Oliveira, CTO da Inove.